A arte salutar
Como autoconhecimento e válvula de escape
Algumas vezes é impossÃvel evitar a tristeza. Como seres humanos, estamos fadados a sentÃ-la. Não há remédio nas palavras, nos conselhos, nas músicas.
O remédio para a tristeza não é, de fato, um remédio, mas sim um processo interno de desculpa e aceitação, que só quem se dispõe a encará-la pode conseguir alcançar. Isso vai depender da forma como a pessoa interpreta os conselhos, as palavras, as músicas e a própria tristeza.
Mas, muitas vezes, a tristeza parece inaceitável.
Então, o que fazer se a recusa da aceitação só faz espalhar ainda mais o caos interno?
Aceitar a tristeza incompreensÃvel é uma péssima sugestão. Dizer que o tempo é o melhor remédio é um clichê ridÃculo! O que pode acontecer enquanto esse tempo não faz a sua magia? Como a mais triste das pessoas pode resolver isso, já que a aceitação e o tempo parecem inúteis para ela?
Eu posso não ser a pessoa mais triste, porém, assim como qualquer um, muitas vezes enfrento momentos de extrema sobrecarga. Nesses momentos, busco minha tristeza e ódio (que muitas vezes andam juntos) e externalizo em palavras.
Como fiz agora: um texto.
Um texto para mim. Se compartilho é porque tenho a esperança de que isso possa ser útil para mais alguém. Fiz um desenho com as minhas próprias mãos, para ilustrar meu texto, que escrevi, também com minhas próprias mãos.
Este conjunto foi minha válvula de escape. Não está perfeito, mas isso não tem importância alguma. O que importa é a concretização da certeza de que eu tinha algo a dizer.
Talvez escrever ou ilustrar não traga o alÃvio em si. A dor, inclusive, pode aumentar. Mas você passa a compreendê-la. Compreendendo-a, torna-se mais fácil aceitá-la e, aceitando-a, ela se acomoda e para de se mexer sobre a ferida.
É preciso se deixar sentir, assim, o corpo e a mente se encontram mais coerentes.
A arte foi um convite que eu aceitei de imediato. Consegui entender, enfrentar e superar muitos processos a partir disso.
Mas, nem sempre podemos resolver tudo sozinhos.
Nesses momentos, não são as músicas nem os conselhos, e muito menos as palavras de um escritor qualquer que ajudarão.
Falo de ajuda profissional.
Eu usei o texto como exemplo, pois é o meu terreno. O texto é a minha arte.
E arte não é se desculpar. Arte não é pedir ao tempo. Arte é estar em si, é estar aqui e agora.
Texto antigo, postei em comemoração aos 100 inscritos.



Preciso reiterar o quanto gosto da forma como você expressa o que sente. Confesso que me reconheci um pouco neste post. De fato, não se trata de o tempo curar tudo, mas sim do que acontece nas suas dobras — se isso nos favorece emocionalmente ou não.
Ps: Gostei também dos traços da sua arte em preto e tons de cinza, já é sua marca.